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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O rádio ainda poderá mudar o mundo






Publicado em Quarta, 21 Setembro 2016 16:07
 Escrito por Alvaro Bufarah (*)

     No mês de setembro comemoramos o dia do radialista e do rádio, mas muitas vezes esquecemos que este é um dos veículos de comunicação mais importantes do país. Mesmo com todos os problemas de verbas, falta de estrutura e uma visão empresarial distorcida, o meio ainda é o melhor canal de acesso a informação e entretenimento para muitas comunidades espalhadas pelo país.

     Diante das novas tecnologias o rádio pode ser potencializado e alcançar audiências diferenciadas, que nunca foram trabalhadas.

    Num período marcado pela segmentação em nichos, o suporte multiplataforma da Internet possibilita que as emissoras de rádio produzam programas em diversos formatos e até criem novas emissoras para públicos diferentes.

     O que trava o desenvolvimento do rádio no Brasil? Talvez a melhor respostas seja o fato das empresas de comunicação brasileiras, especialmente as rádios, não se entenderem como “empresas”, muitos ainda batem no peito e afirmam fazer rádio da mesma forma há 40 anos, como se isso fosse diferencial. Infelizmente temos novos públicos que não conhecem o rádio por ondas. Para os jovens, o rádio pode ser um podcast no celular, uma transmissão de streaming no tablet, ou uma emissora web que toque músicas e tenha entrevistas sobre Pokemons.

     Este novo consumidor praticamente não conhece o rádio materializado em um eletrodoméstico, na caixinha sobre o móvel da cozinha, o radinho de pilha que levávamos para os estádios, ou o aparelho em que as senhoras ouviam a “Ave Maria” com um copo de água, todos os dias às 6 da tarde.

     Para esta nova audiência, o áudio digital é uma realidade que flui no ambiente da web. Pode ser transportado, copiado, retransmitido ou simplesmente escutado a qualquer hora e lugar.

     Não devemos viver das glórias do passado, mas buscar os melhores caminhos para um novo futuro. Para tanto, temos de modernizar as empresas entendendo a programação com um produto único, que precisa de uma comunicação própria, métricas diferenciadas e novos formatos que abusem das plataformas digitais.  Este é o futuro da comunicação no país, especialmente do rádio. Como dizia o radialista paulistano Hélio Ribeiro, “o rádio ainda pode ser o veículo que irá mudar o mundo, mudando a você e a mim”. Basta que todos entendam o novo momento histórico que vivemos.

(*) Jornalista e pesquisador do meio rádio na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), mestre em comunicação e mercado pela Faculdade Cásper Líbero (FCL), pós-graduado em administração de empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e professor do curso de Rádio e TV. Atuou mais de 20 anos no mercado de rádio nacional e internacional.
Link original: http://portal.comunique-se.com.br/artigos-colunas/82408-o-radio-ainda-podera-mudar-o-mundo
Acessado em 26 de setembro de 2016 as 13h02

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um pouco sobre o mercado de Web Rádio



Por Cléber Almeida - Web Rádio Tom Social e EPWBR

     A internet tornou-se a maior plataforma de comunicação do mundo, e com ela trouxe a convergência digital. O jornal, revistas, a TV e o rádio agora fazem parte deste grande universo web, cada um no seu tempo de migração e aceitação pelo internauta, afinal esta “migração” requer estudos e adaptações para que estes veículos sejam algo a mais. Já temos visto o jornal de forma bem sucedida na internet, as revistas, mas como andam a TV e o rádio para este novo seguimento e formato de transmissão?
     A TV tem começado a fazer parte da internet apenas agora, temos visto emissoras replicando seu conteúdo para web e descobrindo novos formatos, inclusive de conteúdos exclusivos para internet. Já o rádio, embora já esteja à frente da TV nesta corrida midiática, vem sofrendo grandes problemas por diversas questões
     O rádio está migrando para internet de forma lenta e desordenada. Embora existam milhares de rádios online ou popularmente web rádios, elas são simplesmente tocadoras de música e ainda não cumprem o papel fundamental de um veiculo de comunicação que muito além do entretenimento eles tem como função base prestar serviço, como o rádio convencional sempre fez e ainda faz. Este fator gera insegurança ao mercado publicitário e em investidores, pois como não há regulamentação tudo ainda parece uma grande brincadeira onde as pessoas estão se divertindo com suas playlists online. Poucas emissoras estão trabalhando profissionalmente com o rádio na internet e acabam sendo atingidas por este tipo de pensamento, enfraquecendo assim sua parte comercial.
     Quanto a audiência, o rádio na internet tem tudo para alcançar o mundo todo, coisa que por sua natureza ela já faz, a final ela está na internet. Porém, creio que não seja desta forma que devemos pensar, precisamos adotar nichos de mercado e apostar em gestão de conteúdo para eles. Tudo na internet é conteúdo, e com o rádio não dá para ser diferente neste sentido. Temos de criar conteúdo associando a dinâmica do rádio com a linguagem da internet, e este talvez seja um dos principais segredos para o rádio crescer consideravelmente dentro de sua nova maneira de transmissão, e assim se tornar um grande veículo de massa, não isolado, mas em conjunto com a internet.
     O mercado precisa olhar diferente para o rádio na internet, pois estamos no ponto inicial de um grande avanço para este veículo que todos nós amamos e usamos há tanto tempo.
     Como não temos um órgão que controle a audiência do rádio na internet, fica difícil falar de qual emissora é a mais ouvida. Além da falta deste órgão os mecanismos de mensuração são falhos.
     Mas creio que as web rádios customizadas e para o seguimento jovem como Coca-cola FM e Rádio Tang consigam atingir um número interessante de audiência devido a sua verba de marketing cujo as empresas destinam exclusivamente para emissora. Elas acabam não tendo um faturamento direto com vendas de serviços ou produtos, mas fidelizam a marca junto aos seus consumidores. Aposte em rádios na internet para nichos de mercado!
     Além dos nichos, uma rádio customizada é uma excelente maneira de ampliar a comunicação da sua empresa, creio que seja a hora de pensar nisso!
     O próprio profissional de web rádio precisa mudar sua postura no mercado. Tenho visto muitos gestores do veículo dizerem acanhadamente que possuem uma “radiosinha na internet”, ou seja, ele mesmo não acredita no veículo. É preciso mudar isso!
     Outra postura que precisa ser mudada em relação a estes gestores está relacionada à paixão por rádio, é preciso deixar esta paixão guardada com muito carinho numa caixinha blindada e passar a pensar como empreendedor e não mais como alguém que sonha em trabalhar em rádio ou fazer locução. É preciso pensar como dono de negócio, pensar estratégias de marketing, comercial, comunicação e tecnologia. Não basta criar apenas uma linda vinheta ou site para usa rádio, é preciso pensar como um todo criando soluções de gestão empreendedora.
     Incansavelmente repetirei, “o rádio na internet é um veículo com futuro promissor”, agora cabe a nós, gestores de rádios convencionais, profissionais de comunicação em geral e investidores, criar meios inovadores para torná-lo mais atrativo. Se o rádio convencional deu tão certo, não haja dúvidas que na internet ele será ainda maior, pois agora tem um alcance maior e novas maneiras de falar com o seu público.